Petição para Lifta
Traduzido por Marlon Meira
Lifta, uma pitoresca vila palestina, fica nas encostas de Jerusalém Ocidental, abaixo da estrada que leva a Tel-Aviv. Ela foi abandonada desde que as forças invasoras Hagana, apoiadas pela Gangue Stern, expulsaram de lá os últimos de seus habitantes palestinos, em 1948, durante a limpeza étnica da Palestina.
Foi o único acontecimento que mudou a natureza do local e toda a região. Apesar de dezenas de casas terem sido destruídas, muitas delas continuam erguidas com dignidade na paisagem.
Lifta é considerada por muitos como um raro exemplo da arquitetura rural palestina, com ruas estreitas alinhadas às encostas das montanhas ao redor da vila. Suas formas cubistas são uma manifestação maravilhosa da habilidade dos construtores palestinos, que foram os primeiros proprietários destas casas.
Hoje Lifta é quase uma cidade fantasma, suspensa no espaço, e continua abandonada, apesar da maioria de seus habitantes palestinos nativos ainda viverem nas comunidades em seu entorno. As autoridades israelenses se recusam a permitir o seu regresso.
Agora, a Prefeitura de Jerusalém planeja transformar Lifta em um bairro luxuoso e exclusivo para judeus - reinventando sua história durante o processo.
O Projeto, de número 6036, foi realizado por dois escritórios de arquitetura: G. Kartas - S. Grueg e S. Ahronson, como parte do "planejamento do espaço local de Jerusalém". O projeto foi apresentado em 28 de junho de 2004, e de acordo com o seu título se refere à "Primavera Nacional". O projeto, apresentado ao Comitê de Planejamento da Prefeitura de Jerusalém em 2004, foi aprovado por uma comissão regional.
Em 2005, objeções ao projeto foram feitas por vários grupos, incluindo o Bimkom (centro de alternativas para o planejamento de Israel) e os representantes do comitê regional de organização e construção da área Al Quds-Jerusalém.
Principais problemas:
• Os habitantes palestinos nativos de Lifta, suas memórias do vilarejo, seu exílio e desejo de retornar a Lifta não são mencionados, nem mesmo considerados pelo grande projeto da Prefeitura.
• Lifta capta o momento da destruição da vida palestina em 1948. Seus 3.000 habitantes nativos fugiram, a maioria para Jerusalém Oriental e para a região de Ramallah. No entanto, ao contrário de muitas das 530 vilas e cidades palestinas conquistadas e demolidas durante a guerra de 1947/48, algumas das casas de Lifta permanecem quase intactas, mesmo que ainda desertas e declaradas "oficialmente" reassentadas.
• Essas circunstâncias colocam Lifta numa posição única: seus habitantes nativos ainda estão por aí, vivendo nos territórios palestinos ocupados e em Chicago, anciosos para que as injustiças perpetradas em 1948 sejam reconhecidas e reparadas.
• Em Israel, projetos de renovação são frequentemente usados para construir uma narrativa nacional, ignorando as profundas contradições entre planejamentos e direitos humanos que inevitavelmente surgem de tais iniciativas.
• Lifta é uma região onde uma nova transformação nacional resulta no apagamento da memória de outro povo, como demonstra o novo projeto.
• Lifta é a manifestação concreta de um contexto mais amplo dos acontecimentos na região durante 1947/48. Lifta pode ser um lugar fundamental para se contemplar e compreender o conceito de continuidade histórica.
• A herança de Lifta é a história de uma sociedade multicultural, que adere ao sentimento de uma comunidade étnica e religiosamente diversa de judeus, cristãos e muçulmanos que resumia uma igualdade civil saudável entre os seus habitantes e as comunidades vizinhas. Se Lifta fosse rejuvenescida com o devido cuidado, a fim de preservar sua memória, ela ofereceria uma oportunidade única para o início de um novo diálogo no sentido de um resultado conciliatório.
O objetivo da petição:
Esta petição tem como objetivo salvar Lifta através do Fundo Mundial de Monumentos (World Monuments Fund), entre outros, e chamar a atenção para esta região, que tem sido ameaçada por negligência, vandalismo e a ocupação forçada de colonos extremistas.
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